CANTINHO
EDUCATIVO
· Pensa que acabou?
O tópico “Pensa que Acabou?” visou dar abertura para o grupo incluírem outros conteúdos pertinentes e relevantes sobre as possíveis áreas de interesse do professor do Ensino Fundamental I, tanto para sua formação de forma mais ampla como para o trabalho com projetos.
OBJETIVOS
■ Apreciar trabalhos de artistas que são referência em
autorretrato.
■ Fazer autorretrato com desenho e
pintura.
■ Atribuir signos à própria imagem.
■ Identificar marcas pessoais na
maneira de desenhar e pintar.
CONTEÚDOS
■ Autorretrato.
■ Apreciação de obra de arte.
■ Desenho e pintura.
ANOS 2º ao 5º.
TEMPO
ESTIMADO
Doze aulas.
MATERIAL
NECESSÁRIO
Livros com reproduções de autorretratos e reproduções de imagens em
transparência, retroprojetor, lápis de cor, folhas de papel sulfite, papel
craft ou cartolina branca, caneta hidrocor, giz de cera, espelhos portáteis,
pincéis, tinta guache (nas cores primárias, preta e branca), recipientes
para água e mistura de tintas, fotografias dos estudantes (antigas e atuais) e
telas para pintura ou papelão, preparado com mistura de guache e cola brancos.
DESENVOLVIMENTO
■ 1ª
ETAPA
Na primeira aula, apresente o planejamento do projeto, os materiais e o
resultado esperado. Pergunte o que a classe já fez em Arte e os pintores
conhecidos. Mostre
imagens de retratos e autorretratos de artistas de diferentes épocas (como
Frida Kahlo, Tarsila do Amaral, Vincent Van Gogh [1853-1890] e Rembrandt van
Rijn [1606-1669]).
Elabore questões que instiguem a busca por semelhanças e diferenças no modo de
pintar e a descoberta de expressões preferidas de cada um. Ao mesmo tempo em
que conduz a apreciação, dê informações sobre o artista. Nas aulas seguintes,
escolha um pintor que tenha produzido vários autorretratos, levando em conta a
história e os interesses do grupo. Apresente pelo menos cinco reproduções que
caracterizem seu estilo ou as fases pelas quais passou. Converse com a turma
sobre elementos formais, como cor, harmonia, contraste, tipo de pincelada e o
significado das imagens. Em novo momento de análise,
mostre o trabalho de outro pintor para comparar e evidenciar as marcas pessoais.
Alterne situações de apreciação e produção para que os estudantes entrem em
contato com o mesmo conteúdo conhecendo diferentes pontos de vista. Distribua
folhas de papel sulfite branco e lápis de cor e peça que recriem, de memória,
uma das imagens mostradas. Observe o que mais chamou a atenção durante a
observação e pergunte o motivo da escolha. Preste atenção: crianças de 4º e 5º
anos geralmente usam mais elementos simbólicos do que as de 2º e 3º, que, por
sua vez, se fixam mais em cores e formas. Se algum desenho for apenas um traço,
converse com o aluno sobre a idéia que ele deseja transmitir, estimulando-o a
lembrar detalhes que remetam à mensagem, e ajude-o a incluí-los na produção.
■ 2ª ETAPA
Agora é hora de explorar a observação do corpo. Oriente a turma a contornar a
mão no papel, a desenhar símbolos dentro do traço e a pintá-los. Ao mesmo
tempo, arme um retroprojetor com a luz voltada para a parede. Em duplas, a
turma deve fazer silhuetas em
uma folha de papel craft presa à parede. Em seguida, acomode as produções no
chão para que sejam criados, com giz de cera, elementos que caracterizem cada
um deles. Na aula
seguinte, distribua os espelhos para a obervação do rosto. A garotada deverá
agora fazer um auto-retrato com lápis de cor, em folha sulfite. Para o encontro
seguinte, peça que as crianças tragam três fotos de casa: uma de quando eram
bebê, outra, um pouco mais
velhas, e uma atual. Para formar uma seqüência, elas devem se representar como
se imaginam no futuro. Assim, se perceberão como pessoas em constante
transformação. Quem não tiver fotos pode se desenhar em três fases da vida.
Oriente-as a pensar no que gostariam de ser quando adultos e a criar um fundo
com diferentes paisagens ou ambientes.
■ 3ª ETAPA
Reserve três aulas para a pintura do autorretrato em tela com tinta guache.
Mostre novamente autorretratos de artistas para que sejam observadas cores,
pinceladas e a relação figura/ fundo. Separe a classe em grupos de quatro e
distribua recipientes com
tintas das cores primárias e pincéis de diversos tamanhos. Sugira que todos
façam misturas e revelem novos tons e cores. Intercale sempre as situações de
produção com as de apreciação dos trabalhos. Isso vai permitir que a turma
descubra o que mais pode fazer e que detalhes, pinceladas e cores é possível
criar e experimentar. Na última aula,
promova um amplo debate sobre os autorretratos e as marcas que apareceram na
própria pintura e na dos colegas. No último encontro, oriente a garotada a
organizar uma exposição.
PRODUTO
FINAL
■ Exposição de arte aberta ao
público. Monte uma mostra dos trabalhos e
convide pais, professores e colegas das outras turmas. Exiba todas as
atividades desenvolvidas para
que os visitantes conheçam a trajetória dos estudantes de Arte.
AVALIAÇÃO
Crie pautas de observação, aponte o que é importante cada série aprender e como
os alunos se saem (se descobrem o uso de símbolos e utilizam novas cores, se
colocam
mais detalhes e expressões faciais ou se de cada produção, organize momentos
coletivos de apreciação. Nos autorretratos, pergunte que transformações
identificam nas criações e que marcas apreciam na tela dos colegas
Materiais para as aulas de circo: pé de
lata
Como incluir alunos com deficiência
As flexibilizações são oferecidas de acordo com as
possibilidades do aluno e isso varia muito. Cada um desenvolverá habilidades
muito particulares, de acordo com seu tipo de limitação ou deficiência. Por
isso, atente para os seguintes fundamentos gerais:
- Identifique as possibilidades e competências do aluno, pois essas mostrarão a
forma como ele poderá participar.
- Pergunte ao aluno como ele poderia ou gostaria de participar. Incentive-o a
mostrar suas possibilidades, mostrando que ele pertence ao grupo.
- Peça ao grupo sugestões de estratégias para flexibilizar as atividades
desenvolvidas – essa também é uma forma de envolver a todos.
- Elabore formas de participação do aluno com outras funções, atentando que
elas sejam sempre colaborativas -- não segregadas ou paralelas.
- Dê mais tempo para a execução de cada exercício.
- Conte com a experiência dos profissionais de saúde que atendem o aluno. Eles
podem tem colaborações valiosas sobre as potencialidades do aluno, bem como
recursos e estratégias utilizadas.
- Realize flexibilizações nas diversas dimensões do planejamento: objetivos
(podem ser reformulados para um determinado aluno num dado momento),
estratégias ou recursos. A avaliação deve ser adequada à mudança de objetivo.
Equilíbrio: pé de lata
Flexibilização
para alunos com deficiência física e mobilidade de membros superiores (braços)
- Sugira que o aluno equilibre o material com as mãos.
- Ofereça uma função alternativa, como por exemplo, ser o guia do trajeto a ser
percorrido pelo aluno.
- Trabalhe o equilíbrio por meio do contato com um tambor. Com a sua ajuda, a
criança se deita no aparelho e vivencia o contato com ele.
- Dê mais tempo para a execução do exercício.
ERA UMA VEZ...
BONS LEITORES LITERÁRIOS ESTÃO
ATENTOS A NOVAS E VELHAS HISTÓRIAS, CONHECEM GÊNEROS E AUTORES VARIADOS. POR
ISSO, ORGANIZAMOS ESTA PÁGINA ESPECIAL, COM MAIS DE 100 CONTOS, CRÔNICAS,
POESIAS, LENDAS E FÁBULAS RICAMENTE ILUSTRADAS E PUBLICADAS EM NOVA ESCOLA.
PARA LER SOZINHO, EM FAMÍLIA OU COM SEUS ALUNOS, EM QUALQUER FAIXA ETÁRIA. BOA
LEITURA!
Nosso
grupo selecionou alguns...Vejam!
Contos:
A GATA APAIXONADA
Quando perguntam como é que eu consegui sair com a Carla,
eu respondo que foi por causa do Aldemir Martins. O pintor famoso.
Eu estava, tranqüilo, estudando. Juro. Lá pelas 3 da tarde o telefone tocou.
Era ela, a vizinha da casa 3.
A mãe morreu há uns quatro anos. O pai é superciumento, não a deixa satir de
casa nunca.
- Oi, Rodrigo... Você tem um gato grande, malhado?
- Tenho. O nome dele é Sorvete.
- Sorvete?
- Quando a gente encosta a mão, ele se derrete todo.
- Ele briga com a minha gata, a Tati. Já aconteceu várias vezes. Acho que é
ciúme.
- De outro gato?
- Não. De um quadro. Uma pintura. Do Aldemir Martins.
Dez minutos depois eu estava na sala da casa dela. Só nós dois.
- Você vai ver - ela disse.
- É sempre na mesma hora. Já ouviu falar do Aldemir Martins?
- Já. É um pintor famoso pra caramba. Mora aqui em São Paulo.
- Morava. Morreu há pouco tempo. Minha mãe era apaixonada pela pintura dele.
Ele ilustrava livros, revistas, jornais... Pintava cangaceiros, galos,
passarinhos, peixes...
- Tô sabendo. Desenhava até rótulos de maionese, de vinho...
- Minha mãe comprava tudo que podia. A gente comia em pratos desenhados por
ele, tinha lençóis, tapetes, cortina de banheiro...
Carla me levou pra um canto da sala. Em cima de uma imitação de lareira, havia
uma tela do Aldemir Martins, pequena, com o desenho de um gato. Um gato gordo,
vermelho e azul, um focinho enorme, mostrando as garras, sedutor, os olhos
verdes calmos, hipnóticos.
- Minha mãe adorava esse quadro.
Então ela me puxou pra trás de uma cortina pesada, que cobria a vidraça que
dava pro jardim.
Tati entrou na sala. Pulou pro beiral da falsa lareira e parou em frente ao
quadro, olhando pro gato pintado. Ficamos assim uns 20 minutos, escondidos,
calados. Até que ele apareceu. O velho Sorvete. O gato mais descolado do
pedaço. Veio gingando, passou entre os móveis, parou na frente da lareira,
olhou pro alto e não gostou nada do que viu.
Carla segurou no meu braço.
Sorvete pulou pro beiral.
Briga de gato é mais rápido que videogame. Tati pulou, atravessou uma janela
aberta e fugiu pro jardim, com o Sorvete atrás.
- Minha mãe dizia que um artista é capaz de recriar a vida. Se Deus existe, com
certeza é um artista. Mas acho que você vai ter de trancar o Sorvete em casa,
Rodrigo. Não gostei daquilo.
- Não, Carla. A gente encontra outro jeito. Pra mim as pessoas, os bichos,
qualquer coisa que se mexa... têm de ter liberdade. Têm de ter uma janela
aberta.
- Mas o Sorvete é meio selvagem...
- Isso. É assim que eu gosto dele. Eu também sou meio selvagem. Sabe o que eu
faço? Eu como o tomate inteiro. Eu não fico esperando a minha mãe partir e
colocar na salada!
Ela riu. Não sei de onde eu tirei essa história do tomate. Aí me empolguei, e
ia dar mais exemplos de como eu era selvagem, mas a cortina se abriu de repente
e o pai dela apareceu.
O cara ficou nervoso, quase chamou a polícia, mas depois a gente explicou, ele
se arrependeu e acabou até deixando a filha sair comigo.
Eu e a Carla estamos namorando. Juro
POESIA:
MEU AMIGO DINOSSAURO
Um pequeno dinossauro
Apareceu no jardim
Educado, inteligente,
O seu nome era Joaquim.
Nunca consegui saber
De onde foi que ele saiu
Quando a gente perguntou
Disfarçou e até sorriu...
Ficou muito nosso amigo
Fez tudo que é brincadeira.
Levou o Miguel pra escola
Levou a mamãe pra feira.
As pessoas espiavam
Estranhavam um pouquinho
Onde será que arranjaram
Este dinossaurosinho?
Nessa tarde o papai trouxe
Um amigo bem distinto
Que se espantou e exclamou:
— Mas este bicho está extinto!
Há muitos milhões de anos
Ele já virou petróleo!
Ou já virou gasolina,
Ou algum tipo de óleo.
Meu dinossauro sorriu
— Estou vivo, "podes crer"!
Eu não virei querosene
Como o senhor pode ver!
Antigamente diziam
Que o petróleo era formado
Por montes de dinossauros
Um sobre o outro empilhados.
Mas isso não é verdade!
Foram plantas e outros bichos
Que ficaram bem fechados
Entre buracos e nichos.
Sofreram muita pressão
Por muitos milhões de anos
Sofreram muito calor
No fundo dos oceanos.
— Mas então por que o petróleo
Até parece cigano?
Ora aparece na Terra,
Ora debaixo do oceano!
É porque o planeta Terra
Esteve sempre a mudar
Depois de milhões de anos
Tudo mudou de lugar.
Todos ficaram espantados
De tanta sabedoria
E perguntavam: — Que mais
Sabe Vossa Senhoria?
— Sei ainda muitas coisas
Disse o amigo Joaquim
Para que serve o petróleo
E outras coisas assim.
Petróleo move automóvel,
Navio, trem, avião,
Ônibus e motocicleta,
Helicóptero e caminhão.
Com petróleo se faz pano,
Brinquedo, bolsas e mala,
Pele pra fazer salsicha,
Copos, pratos, nem se fala.
Se faz tinta, faz garrafa,
Material de construção,
Se fazem peças de automóvel
E se faz tubulação.
— Tenho mais uma coisinha
Pra dizer. - Pois então diga!
E o dinossauro puxou
O fecho em sua barriga.
E saíram lá de dentro
O Pedro mais o Raimundo
— Nós não somos dinossauro,
Enganamos todo mundo!
Poema de Ruth Rocha, ilustrado por Alarcão
LENDAS E FÁBULAS:
Lenda De bem com a vida
Filó, a joaninha, acordou cedo.
- Que lindo dia! Vou aproveitar para visitar minha tia.
- Alô, tia Matilde. Posso ir aí hoje?
- Venha, Filó. Vou fazer um almoço bem gostoso.
Filó colocou seu vestido amarelo de bolinhas pretas, passou batom cor-de-rosa,
calçou os sapatinhos de verniz, pegou o guarda-chuva preto e saiu pela
floresta: plecht, plecht...
Andou, andou... e logo encontrou Loreta, a borboleta.
- Que lindo dia!
- E pra que esse guarda-chuva preto, Filó?
- É mesmo! - pensou a joaninha. E foi para casa deixar o guarda-chuva.
De volta à floresta:
- Sapatinhos de verniz? Que exagero! - Disse o sapo Tatá. Hoje nem tem festa na
floresta.
- É mesmo! - pensou a joaninha. E foi para casa trocar os sapatinhos.
De volta à floresta:
- Batom cor-de-rosa? Que esquisito! - disse Téo, o grilo falante.
- É mesmo! - disse a joaninha. E foi para casa tirar o batom.
- Vestido amarelo com bolinhas pretas? Que feio! Por que não usa o vermelho? -
disse a aranha Filomena.
- É mesmo! - pensou Filó. E foi para casa trocar de vestido.
Cansada da tanto ir e voltar, Filó resmungava pelo caminho. O sol estava tão
quente que a joaninha resolveu desistir do passeio.
Chegando em casa, ligou para tia Matilde.
- Titia, vou deixar a visita para outro dia.
- O que aconteceu, Filó? - Ah! Tia Matilde! Acordei cedo, me arrumei bem bonita
e saí andando pela floresta. Mas no caminho...
- Lembre-se, Filozinha... gosto de você do jeitinho que você é. Venha amanhã,
estarei te esperando com um almoço bem gostoso.
No dia seguinte, Filó acordou de bem com a vida. Colocou seu vestido amarelo de
bolinhas pretas, amarrou a fita na cabeça, passou batom cor-de-rosa, calçou
seus sapatinhos de verniz, pegou o guarda-chuva preto, saiu andando
apressadinha pela floresta, plecht, plecht, plecht... e só parou para descansar
no colo gostoso da tia Matilde.
CRÔNICA:
A professora de Desenho
Falando a verdade, escola é uma chatice. Pelo menos a
minha era uma chatice. Essa história de aprender tabuada, fazer prova, lição de
casa... eu não gostava. Ficava feliz quando aparecia uma gripe. Existe coisa
melhor? Eu juntava todos os brinquedos em cima da cama. Traziam revistinhas.
Chocolates. Televisão no quarto. Era ótimo.
Disse que a escola era muito chata, mas esqueci de uma coisa: as aulas de
desenho. Essas eram legais.
Toda sexta-feira, depois do recreio, a dona Marisa (naquele tempo a gente não
chamava a professora de "tia", nem usava só o nome dela, sem nada,
assim: "Marisa"; tinha de ser "dona Marisa") - enfim, a
dona Marisa saía da sala, e entrava a professora de desenho. A dona Andréia.
A dona Marisa era meio gorducha, usava coque no cabelo e se pintava feito
louca. Batom. Sombra azul nos olhos. Meio perua. Eu não gostava da dona Marisa.
Mas aí entrava a professora de desenho. A dona Andréia era mocinha. Tinha
cabelos castanhos. Lisos e compridos.
A aula de desenho era uma farra. A gente abria os cadernos, que não tinham
linhas, só folhas de papel em branco, para a gente fazer o que quisesse. Podia.
Dona Andréia deixava.
Ela era linda.
Um dia, ela se atrasou. O tempo ia passando, e ela não chegava. Todo mundo
estava louco para ter aula de desenho.
Por que será que ela estava atrasada?
Nessa idade, a gente sabe muito pouco da vida dos adultos. Talvez a dona
Andréia tivesse brigado com o namorado. Pode ser que o diretor da escola
tivesse dado uma bronca nela. Vai ver que tinha alguém doente na família.
Mas a gente não queria saber de nada. Só queria ter aula de desenho.
Foi quando a dona Andréia apareceu. Todos nós ficamos contentes.
Não foi só contente. Foi uma espécie de alegria total, de gritaria, de
explosão.
Ela entrou na classe.
Alguém gritou:
- É a Andréia!
Não era o jeito certo de falar. Tinha de dizer "dona
Andréia". Mas àquela altura ninguém estava ligando. Todo mundo começou a
gritar:
- É a Andréia! É a Andréia!
O berreiro foi ganhando ritmo. Como se fosse torcida de futebol.
- AN-DRÉ-IA! AN-DRÉ-IA!
Parecia um jogador entrando em campo. Ou um cantor de rock.
- AN-DRÉ-IA! AN-DRÉ-IA!
Ela começou ficando alegre com a zoeira. Deu um sorriso. O sorriso dela era
lindo.
- AN-DRÉ-IA!
Depois, ela ficou um pouco assustada. Não estava entendendo a bagunça.
- AN-DRÉ-IA!
Foi então que eu vi. Ela começou a chorar.
E saiu da sala.
Na hora, não entendi.
Fiquei pensando.
Quem sabe ela se assustou muito. Talvez não imaginasse que a gente gostava
tanto dela.
E, às vezes, muito amor assusta as pessoas.
Pode ser que ela tivesse ficado brava. Tínhamos de dizer "dona
Andréia", e não dissemos. Era meio chocante só dizer "Andréia",
como se ela fosse irmã da gente, ou apresentadora de televisão, ou empregada.
Ela também pode ter chorado por outro motivo qualquer. Estava triste com o
namorado, ou com alguma doença da família, e toda aquela alegria da gente
atrapalhando os sentimentos dela.
A Andréia nunca mais voltou.
As aulas de desenho acabaram. Comecei a perceber uma coisa.
É que às vezes, quando a gente gosta demais de uma pessoa, não dá certo. Dá uma
bobeira na gente. A gente começa a gritar:
- Andréia! Andréia!
E a Andréia fica sem jeito. Não sabe o que fazer. Se assusta. Se enche.
Ouça este conselho.
Se você gosta muito de alguém, tome cuidado antes de fazer escândalo. Não fique
gritando "Andréia! Andréia!". Finja que você só está achando a pessoa
legal, nada mais. Senão a Andréia sai correndo.
Quando a gente gosta de alguém, tem de fazer como sorvete. Dá uma mordidinha.
Mas não enfia o nariz e a boca na massa de morango. Senão, vão achar que a
gente é idiota.
As pessoas da minha classe gostavam tanto da Andréia, que ela foi embora. Se a
gente fosse mais esperto fingia que não gostava tanto.
Fonte disponível em http://cantinhoeducativo2012.blogspot.com.br/p/pensa-que-acabou.html > Acesso em 26.05.2013.
Nenhum comentário:
Postar um comentário