sábado, 1 de junho de 2013

EDUCADORAS DO AMANHÃ


Criamos este espaço para compartilhar com você, educador (a) de informações, conhecimento, imagens, experiências, vivências, enfim, tudo aquilo que diz respeito à área educacional e que possa trazer à luz, propostas e soluções para as dificuldades que nós encontramos no dia-a-dia em sala de aula. Seja bem vindo (a) nesta viagem.

PENSA QUE ACABOU?


Propus neste momento atividades que englobam todas as disciplinas do Ensino Fundamental I

Vejamos:

ARTE


Obras e pintores de todo o Brasil são um rico conteúdo
Ao aproveitar a diversidade da produção que retrata a cultura de sua cidade ou de seu estado, você ajuda a desmistificar o fazer artístico e amplia o repertório dos estudantes
Estudar obras de artistas locais inspira a turma a criar 

Quais pintores escolher para organizar uma proposta como essa? Depende dos objetivos a serem alcançados pelos alunos. Porém um cuidado básico do educador é garantir que haja diálogo entre os temas trabalhados pelos artistas, as técnicas, os materiais e a linguagem. Sumaya sugere, inclusive, que o trabalho não se restrinja aos representantes da arte local. O ideal é pesquisar e também levar à sala pintores de cidades, estados ou até países diferentes que explorem a mesma temática ou técnica. "Isso ajuda a turma a entender como a realidade local influencia a obra do artista", diz ela. No projeto da garotada da Ludovico Cuccolo, por exemplo, uma boa ideia teria sido associar as obras do suíço naturalizado alemão Paul Klee (1879-1940) às de Cascaes, já que os dois pintores trabalham com seres fantásticos. 

Como conduzir o projeto? A apreciação das obras é uma das fases fundamentais e isso precisa ser contemplado. Ao apresentar as réplicas de três quadros de Cascaes(Boitatá, Bruxa Fera da Ilha da Madeira e Boitatá do Rio Tavares), Julmara tinha como objetivo que os alunos interpretassem o que viam e observassem os aspectos formais da obra. 

As crianças puderam opinar livremente. Uma delas chamou a atenção dos colegas para o fato de todo o espaço da tela ter sido ocupado pelo artista. Outra falou sobre as intenções do pintor ao apreciar uma obra que retratava o mito do boitatá: "Acho que ele queria deixar a gente com medo do que está vendo". 

Houve também quem reconhecesse em um dos quadros de Cascaes um personagem folclórico familiar à população local, o boi de mamão. "O desafio dessa tarefa não é errar ou acertar, mas ser sensível à arte", explica Marisa Szpigel, coordenadora de Arte da Escola da Vila e do Departamento Educativo da Fundação Bienal, ambas em São Paulo. 

É comum durante a apreciação das imagens o professor intervir demais nas observações dos estudantes. Em vez disso, é melhor deixá-los perguntar o que gostariam de saber, promover debates e socializar opiniões. 

A experimentação é outra fase que precisa ser promovida, momento ideal para a criançada vivenciar o processo criativo dos artistas estudados e provar as técnicas e os materiais usados por eles. Julmara analisa que essa foi uma etapa importante para a turma reconhecer que fazer arte não é um dom. "Os estudantes compreenderam que isso exige conhecimento, pesquisa e técnica", diz. Porém essa atividade não pode se tornar uma tentativa de copiar as obras estudadas. Para não cair nesse erro, pensar bem no tipo de proposta a apresentar é fundamental. Se o artista, por exemplo, trabalha com a temática social da região, os alunos podem fazer uma investigação sobre mais questões a esse respeito para fazer delas o foco de suas produções. Os estudantes da Ludovico Coccolo experimentaram trabalhar com natureza-morta, tema explorado por Vera - mas Julmara criou um cenário exclusivo para que eles fizessem desenhos de observação. "A intenção era que se apoiassem no trabalho dela." 

Para finalizar o projeto sobre arte local, a educadora encaminhou os alunos a criar obras lançando mão de todos os temas, as técnicas e os materiais que já tinham descoberto, analisado e experimentado. Garantiu, especialmente, que as crianças pudessem vivenciar a oportunidade, cada um a sua maneira. Uma delas, com necessidades educacionais especiais (NEE), por exemplo, optou por outra ferramenta, em vez da pena mosquito na hora de pintar com nanquim (leia a última página). 

O trabalho de reflexão - a terceira ponta do triângulo didático de Arte, completado pela apreciação e experimentação - ocorreu durante todo o projeto. Os estudantes sempre eram instigados por Julmara a se aproximar dos artistas estudados e analisar o percurso de trabalho deles, o que as obras despertavam no público e como as imagens dialogavam com a cultura e com a paisagem locais, elementos já conhecidos. 

Tão importante quanto a reflexão da criançada foi o empenho de Julmara em refletir sobre sua trajetória como mediadora do conhecimento. Ela fotografou todas as aulas e fez registros escritos delas, hábito que adquiriu no estágio obrigatório durante o curso de licenciatura em Artes Visuais. O material ajudou a educadora a acompanhar o desenvolvimento das crianças e avaliar a aprendizagem delas. "Também uso os registros para analisar o que deu certo e planejar as próximas ideias", afirma. 

Como você pode notar, o modo como Julmara organizou as atividades para o projeto foi um ganho para todos, incluindo ela. Uma prova de que qualquer local do país fornece subsídios para um bom trabalho na disciplina de Arte. Estude, pesquise e avalie o entorno da escola em que você atua. Descubra quais os artistas da região que, como Cascaes e Vera, podem descortinar muitas aprendizagens para a turma.






CIÊNCIAS


Projeto
Orientação sexual (projeto institucional)

Objetivos
- Envolver professores e pais no trabalho de orientação sexual dos estudantes. 
- Desenvolver nos alunos o respeito pelo corpo (o próprio e o do outro). 
- Refletir sobre diferenças de gênero e relacionamentos. 
- Dar informações sobre gravidez, métodos anticoncepcionais e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). 
- Conscientizar sobre a importância de uma vida sexual responsável.


Conteúdos
- Sistema reprodutivo
- Corpo humano
- Padrões de beleza 

Anos 
1º a 5º.

Desenvolvimento 
1ª etapa 
Prepare a escola e a comunidade: 

Capacitação da equipe
Professores e funcionários devem estar preparados para lidar com as manifestações da sexualidade de crianças e jovens. Um curso de capacitação sobre os principais temas (como falar e agir com crianças e adolescentes; prazer e limites; gravidez e aborto; DSTs etc.) é o mais indicado. Além disso, os formadores podem ajudar a identificar os conteúdos das diversas disciplinas que contribuem para um trabalho sistemático sobre o tema.


Envolvimento dos pais
Faça uma reunião com as famílias para apresentar o programa. Aproveite para falar brevemente sobre as principais manifestações da sexualidade na infância e na adolescência.


Formação permanente
Organize um grupo de professores para estudar temas ligados à sexualidade e discutir as experiências em sala de aula. 

2ª etapa
O trabalho em sala de aula exige que você fique atento às atitudes e à curiosidade das crianças, pois são elas que vão dar origem aos debates e às atividades propostos a seguir: 

Vocabulário da sexualidade
Palavrões são comuns nas conversas infantis e podem ser usados para fazer graça ou para agredir. Mas eles perdem rapidamente o impacto quando você os escreve no quadro. Explique o significado de cada um, deixe claro que todos podem ser ofensivos e, por isso, não devem ser usados - principalmente em público. Caso as palavras façam referência aos órgãos sexuais, levante as outras que a turma conheça para pênis e vagina. Escreva no quadro os termos corretos e utilize-os nas conversas sobre o tema. 

Padrões de beleza 
Ao perceber que os alunos debocham da aparência de um colega, um bom caminho é promover um debate sobre padrões de beleza. Que tal passar o filme Shrek? Por que a princesa Fiona se esconde quando vira ogra? Ela só é aceita quando aparenta ser bela? Que qualidades têm os personagens? É justo que as pessoas evitem quem não acham bonito? Outro bom exemplo é a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. A modelo é bonita? Explique que, na época em que foi pintada, ela era (sim) um padrão de beleza. Divida a turma em duplas e peça que cada um descreva qualidades ou algo que ache bonito no colega.





EDUCAÇÃO FÍSICA


Materiais para as aulas de circo

Inspirados pelo projeto campeão da professora Fernanda Pedrosa, da EM José de Calasanz - vencedora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 em 2011 - os professores Cristiane Cassoni e Kiko Belluci ensinam como fazer materiais acessíveis para as aulas de circo. Cada um dos vídeos contém sugestões de flexibilização para incluir todos os alunos nas atividades, inclusive aqueles com deficiência.

COMO INCLUIR OS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NAS AULAS DE CIRCO

As flexibilizações são oferecidas de acordo com as possibilidades do aluno e isso varia muito. Cada um desenvolverá habilidades muito particulares, de acordo com seu tipo de limitação ou deficiência. Por isso, atente para os seguintes fundamentos gerais: 
- Identifique as possibilidades e competências do aluno, pois essas mostrarão a forma como ele poderá participar.
- Pergunte ao aluno como ele poderia ou gostaria de participar. Incentive-o a mostrar suas possibilidades, mostrando que ele pertence ao grupo.
- Peça ao grupo sugestões de estratégias para flexibilizar as atividades desenvolvidas - essa também é uma forma de envolver a todos.
- Elabore formas de participação do aluno com outras funções, atentando que elas sejam sempre colaborativas -- não segregadas ou paralelas.
- Dê mais tempo para a execução de cada exercício.
- Conte com a experiência dos profissionais de saúde que atendem o aluno. Eles podem tem colaborações valiosas sobre as potencialidades do aluno, bem como recursos e estratégias utilizadas.
- Realize flexibilizações nas diversas dimensões do planejamento: objetivos (podem ser reformulados para um determinado aluno num dado momento), estratégias ou recursos. A avaliação deve ser adequada à mudança de objetivo.

Malabares: bolas, claves, aros e swing poi


Flexibilização para alunos com deficiência física e com mobilidade de membros superiores (braços)


- Use pedaços de tule (material mais leve e com tempo de recuperação maior), bexigas presas a barbante ou bolas presas a tiras de velcro (nos casos em que a criança não consegue segurar os materiais)
- Confeccione bolas do tamanho da palma da mão da criança.
- Confeccione bolas de balão - assim, as bolinhas escorregam menos das mãos da criança e dão mais firmeza e segurança.
- Acrescente velcro ao swing poi e ao prato chinês. 
- Amplie o tempo de realização das etapas: a criança pode demorar mais tempo para conseguir lançar duas bolas ou duas claves ao mesmo tempo. 

Equilíbrio: pé de lata
Flexibilização para alunos com deficiência física e mobilidade de membros superiores (braços)
- Sugira que o aluno equilibre o material com as mãos.
- Ofereça uma função alternativa, por exemplo, como ser o guia do trajeto a ser percorrido.
- Trabalhe o equilíbrio por meio do contato com o tambor. Com ajuda do professor, a criança se deita no aparelho e vivencia o contato com ele.
- Dê mais tempo para a execução do exercício.






Geografia



Pontos cardeais: orientação, lugar e paisagens
Aproveite o entorno da escola e as ferramentas disponíveis na internet para trabalhar o conhecimento sobre os pontos cardeais

Objetivos 
- Ampliar as noções de referência espacial. 
- Utilizar, no seu cotidiano e em mapas, os referenciais espaciais de localização e orientação. 
- Representar os lugares onde vive e se relaciona. 

Conteúdos
- Orientação pelo Sol. 
- Pontos cardeais e colaterais. 

Anos 
3º a 5º 

Tempo estimado 
Seis a oito aulas. 

Material necessário 
Caderno de anotações, régua, papel e lápis. 
Laboratório de informática com acesso a internet ou mapa do bairro e da cidade. 

Flexibilização
Para alunos com deficiência intelectual 
Uma conversa com os pais ou responsáveis por levar o aluno com deficiência intelectual à escola pode ser útil para que ele atente para a incidência do sol em diferentes momentos do dia. Se necessário, antecipe algumas etapas para que o seu aluno se familiarize com a proposta e repita algumas das atividades desta sequência, como a localização dos pontos cardeais tomando como base a posição do próprio corpo. É importante que o seu aluno compreenda que norte-sul, leste-oeste indicam direções opostas. Mostrar os pontos cardeais em mapas, no Google Maps ou mesmo marca-los com cartazes fixados na sala de aula são boas sugestões para ajudar na aprendizagem da criança com deficiência intelectual. O trabalho em duplas no jogo da rosa dos ventos, por exemplo, também contribui para o desenvolvimento do aluno. Explore materiais que tornem os pontos cardeais mais palpáveis para o aluno e próximos de seu cotidiano - as crianças com deficiência intelectual costumam ter mais dificuldade para compreender ideias abstratas. No contraturno, conte com a ajuda do Atendimento Educacional Especializado (AEE) para desenvolver outras habilidades importantes para o desenvolvimento do aluno, como a coordenação motora e a comunicação.

Desenvolvimento 
1ª etapa
Comece fazendo perguntas e peça que seus alunos registrem as respostas no caderno: como o Sol afeta cada um de vocês no trajeto de casa para a escola? Ele "bate" de que lado de seu corpo quando você se desloca (a pé, de carro ou de ônibus) nesse caminho? Em quais partes da sua casa tem Sol pela manhã? E à tarde? O Sol incide sobre a sala de aula enquanto estamos na escola? Em que horários? Solicite que nos próximos dias eles façam no caderno um diário das posições do Sol, anotando onde ele está quando acordam, quando vão para a escola e quando voltam para casa. Peça também que após as observações desenhem o trajeto de casa à escola ou vice-versa. 

2ª etapa
Explique que o Sol surge todos os dias, não necessariamente no mesmo lugar, mas no mesmo lado da Terra e que este lado do planeta foi denominado desde a antiguidade de leste ou nascente. Informe também que o Sol se põe ou desaparece, também não exatamente no mesmo lugar, mas no mesmo lado da Terra e que este lado é chamado de oeste ou poente. Explique que tais nomes foram criados na antiguidade quando o homem pensava que o Sol girava em torno da Terra. Com base nos conhecimentos que os alunos obtiveram em suas observações ajude-os a identificar o leste. Solicite então que se levantem e fiquem de frente para a parede identificada como o lado leste e lembre que do lado contrário estará o lado oeste, do lado direito estará o sul e do lado esquerdo, o norte. Agora peça que apontem o braço direito para o lado leste e digam de que lado fica o oeste (do lado esquerdo), o norte (à frente) e o sul (nas costas). 

Peça que todos saiam da posição, troquem de lugar e depois repita a atividade, pedindo agora que os alunos se posicionem de costas para o leste. Ajude-os a identificar as demais direções. Fazendo esses diferentes exercícios eles começarão a compreender que há várias possibilidades de utilizar o próprio corpo para se orientar no espaço. 

3ª etapa
Informe que eles vão aprender a se orientar geograficamente em seus deslocamentos após entender os movimentos do Sol. Desenhe a rosa dos ventos no chão da sala e apresente os pontos cardeais e colaterais. Explique que os nomes dos pontos cardeais foram criados pelos homens para demarcar suas posições e deslocamentos no espaço, especialmente quando precisavam percorrer longas distâncias. Relembre que apesar do nome eles indicam todo um lado da Terra e não um ponto específico. 

Proponha um jogo em que a turma se desloque pela sala. Um aluno dá o comando, o outro segue e depois troca (por exemplo: Miguel vá para o leste, João siga para sudeste, Pedro vá para Noroeste). Para facilitar o trabalho desenhe uma rosa dos ventos no chão do centro da sala de aula (lembre-se de fazer o desenho tendo como referência a posição real da sala em relação ao Sol e não simplesmente reproduzindo o desenho tal como ele aparece nos livros didáticos). 

4ª etapa
Oriente os alunos a fazer o desenho de sua sala de aula e a produzir sua própria rosa dos ventos, colocá-la sobre seu desenho e utilizá-la para indicar sua posição, a dos colegas e de outros referenciais. 

5ª etapa
Peça que as crianças contem para os demais o que observaram com relação à posição do Sol em seus caminhos. Informe que agora eles aplicarão esses conhecimentos aos mapas. 

Leve a turma para o pátio e peça que observe a posição do Sol e a localização de espaços como a quadra, a cozinha e o banheiro. Peça que olhem ao redor destacando o que fica em cada lado (norte, sul, leste e oeste) e depois que se desloquem em direção ao sul, até o ponto mais distante do pátio. Chegando ao extremo sul do pátio, oriente-os a ficar de frente para o norte, a anotar em sua folha as direções cardeais e colaterais e a desenhar o que estão vendo. 

Explique que atualmente a maioria dos mapas utiliza o norte como referência (ou seja, apresentam na parte superior do papel os lugares e paisagens que ficam ao norte) porque se trata de uma convenção (ou regra) estabelecida pelos cartógrafos. Mostre a eles alguns mapas que ilustram essa afirmação (mapa-múndi, mapa do Brasil, mapa do Estado etc). Informe também que, embora seja uma convenção adotada atualmente, não há erro em utilizar outras referências para desenhar os mapas. Isso inclusive já foi feito no passado. 


Avaliação 
Leve a classe ao laboratório de informática para explorar o mapa ou a imagem de satélite dos bairros em que residem. Um dos sites que você pode utilizar é o Google Maps. 

Se os alunos não souberem o que é uma imagem de satélite e como utilizá-la para fazer mapas, você pode utilizar uma animação contida no site da UFSC. 

Ajude-os a localizar sua cidade e seu bairro no mapa. Informe que este mapa (e imagem) está orientado a partir do norte e pergunte onde está o leste. Com base nessas informações os alunos deverão posicionar seu mapa (do trajeto casa-escola) com o do site (caso não os tenha produzido orientados para o norte) e compará-los procurando responder questões como: Em que direção você se desloca para ir da sua casa até a escola? Qual é a posição geográfica da escola em relação ao bairro ou à cidade? 

Caso não tenha acesso à internet na escola, realize a mesma atividade utilizando um mapa (como aqueles disponíveis nas listas telefônicas) ou obtenha o mapa do bairro, da cidade ou fotografias aéreas nos órgãos públicos locais. 

Analise o itinerário feito pelos alunos e confira as informações contidas em cada um.




HISTÓRIA


Crianças indígenas de ontem e hoje.
Comparar o modo de viver de diferentes povos em épocas distintas é uma maneira eficiente de discutir a diversidade

 MODOS DE VIVER Entre o povo kamayurá, no Norte do Brasil, as ocas eram construídas com estruturas de madeira e taquara, além da cobertura de palha. Elas não têm divisão interna e servem de moradia para várias famílias. Hoje, estas habitações continuam a existir nas aldeias.
Propor um estudo sobre crianças indígenas do passado e do presente é uma forma de aproximar as turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental de um dos conteúdos da disciplina: a história dos índios do Brasil. Essa abordagem é resultado de uma pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos e que foi publicada no livro Connecting Children with Children - Past and Present (Conectando Crianças com Crianças: Passado e Presente, ainda sem tradução no Brasil). "Com esse recorte, trazemos o modo de vida das crianças indígenas de outras épocas para os dias de hoje", explica a historiadora Maria Auxiliadora Schmidt, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Essa proposta de trabalho tem outro benefício: romper com as generalizações que ignoram as características dos 230 diferentes povos que habitam o Brasil (leia o quadro abaixo). Hoje, há 500 mil índios no país, segundo um levantamento da Fundação Nacional do Índio (Funai) de 2011. Eles formam um conjunto diverso: há os que vivem isolados ou mantendo pouco contato com outros povos e os que estão integrados ao restante da população brasileira. Nesse segundo grupo, o cotidiano não segue um padrão, pois eles vivem realidades diferentes. Alguns frequentam escolas indígenas e aprendem o português como Língua Estrangeira. Outros fogem da falta de terra e da pobreza do campo, migrando para as periferias de grandes cidades. Há ainda etnias que cultivam brincadeiras típicas, embora tenham abandonado os adornos tradicionais. Uma realidade multifacetada que a escola precisa problematizar. 

É importante reforçar para os alunos que a imagem do selvagem de cocar e penas, cristalizada no imaginário de muitos, não corresponde à realidade. "Ela já não explica a complexidade de situações que atualmente envolvem os modos de ser indígena e precisa ser repensada", diz o antropólogo Florêncio Almeida Vaz Filho, docente da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Os erros mais comuns
- Trabalhar temas da cultura indígena em datas pontuais, como o Dia do Índio. A história dos índios não pode ser tratada só em efemérides, com ênfase em aspectos exóticos ou como uma curiosidade. 

- Encarar as etnias indígenas como um todo homogêneo, descontextualizadas de seu tempo histórico. Tal abordagem reforça estereótipos e idealizações. A diversidade das populações indígenas e os conceitos de sua história devem ser debatidos




LÍNGUA PORTUGUESA


Descubra as palavras (2ª série)
   
  Nome:.............................................................
  Data:..............................................................
  Descubra as palavras e escreva nos quadros:





                             MATEMÁTICA


Plano de Aula
  "Donald no País da Matemágica": geometria e fantasia
   
   Introdução
  Donald no País da Matemágica é uma viagem em um mundo de fantasia    onde as árvores têm raízes quadradas. Disney usa a animação para explicar o pentagrama que contém a regra de ouro e, baseado nele, explica a relação de proporção do retângulo de ouro, que representava para os gregos a lei da beleza matemática. "A obra é questionável ao associar a disciplina à mágica e apresentá-la como uma tarefa para intelectuais. Mas algumas cenas contribuem para explorar a relação das teorias matemáticas com a música, a arquitetura e a arte", afirma Priscila Monteiro, consultora pedagógica da Fundação Victor Civita (FVC). 

  Objetivo 
  Resolver problemas utilizando as relações entre as figuras geométricas. 

  Conteúdo 
  Modelização matemática: propriedades e proporção de figuras   geométricas. 
 
  Trecho selecionado 
  O que mostra a proporção áurea (7m23s a 10m46s). 

  Atividade 
  Passe o trecho do filme para os alunos e em seguida promova uma conversa   sobre o que assistiram. Organize a turma em duplas e distribua um tangram para cada uma. Proponha que elas construam três figuras diferentes utilizando as peças do jogo e desenhe os contornos. Exponha os contornos desenhados e promova uma discussão sobre as peças usadas pela garotada para compor cada figura. 

  Avaliação 
  Confeccione um cartaz com os paralelogramos abaixo e peça que os alunos os construam com peças do tangram. Analise se as crianças usaram os conhecimentos adquiridos para compor as figuras.




Fonte disponível em http://grupopm32012196.blogspot.com.br/p/pensa-que-acabou.html > Acesso em 27.05.2013.

CANTINHO EDUCATIVO

·                                    Pensa que acabou?


O tópico “Pensa que Acabou?” visou dar abertura para o grupo incluírem outros conteúdos pertinentes e relevantes sobre as possíveis áreas de interesse do professor do Ensino Fundamental I, tanto para sua formação de forma mais ampla como para o trabalho com projetos. 


OBJETIVOS 
Apreciar trabalhos de artistas que são referência em autorretrato.
Fazer autorretrato com desenho e pintura.
Atribuir signos à própria imagem.
Identificar marcas pessoais na maneira de desenhar e pintar.

CONTEÚDOS 
Autorretrato.
Apreciação de obra de arte.
Desenho e pintura.

ANOS 2º ao 5º.

TEMPO ESTIMADO 
Doze aulas.

MATERIAL NECESSÁRIO
Livros com reproduções de autorretratos e reproduções de imagens em transparência, retroprojetor, lápis de cor, folhas de papel sulfite, papel craft ou cartolina branca, caneta hidrocor, giz de cera, espelhos portáteis, pincéis, tinta guache (nas cores primárias, preta e branca), recipientes para água e mistura de tintas, fotografias dos estudantes (antigas e atuais) e telas para pintura ou papelão, preparado com mistura de guache e cola brancos.

DESENVOLVIMENTO 
 1ª ETAPA 
Na primeira aula, apresente o planejamento do projeto, os materiais e o resultado esperado. Pergunte o que a classe já fez em Arte e os pintores conhecidos. Mostre
imagens de retratos e autorretratos de artistas de diferentes épocas (como Frida Kahlo, Tarsila do Amaral, Vincent Van Gogh [1853-1890] e Rembrandt van Rijn [1606-1669]).
Elabore questões que instiguem a busca por semelhanças e diferenças no modo de pintar e a descoberta de expressões preferidas de cada um. Ao mesmo tempo em que conduz a apreciação, dê informações sobre o artista. Nas aulas seguintes, escolha um pintor que tenha produzido vários autorretratos, levando em conta a história e os interesses do grupo. Apresente pelo menos cinco reproduções que caracterizem seu estilo ou as fases pelas quais passou. Converse com a turma sobre elementos formais, como cor, harmonia, contraste, tipo de pincelada e o significado das imagens. Em novo momento de análise,
mostre o trabalho de outro pintor para comparar e evidenciar as marcas pessoais. Alterne situações de apreciação e produção para que os estudantes entrem em contato com o mesmo conteúdo conhecendo diferentes pontos de vista. Distribua folhas de papel sulfite branco e lápis de cor e peça que recriem, de memória, uma das imagens mostradas. Observe o que mais chamou a atenção durante a observação e pergunte o motivo da escolha. Preste atenção: crianças de 4º e 5º anos geralmente usam mais elementos simbólicos do que as de 2º e 3º, que, por sua vez, se fixam mais em cores e formas. Se algum desenho for apenas um traço, converse com o aluno sobre a idéia que ele deseja transmitir, estimulando-o a lembrar detalhes que remetam à mensagem, e ajude-o a incluí-los na produção.

 2ª ETAPA
Agora é hora de explorar a observação do corpo. Oriente a turma a contornar a mão no papel, a desenhar símbolos dentro do traço e a pintá-los. Ao mesmo tempo, arme um retroprojetor com a luz voltada para a parede. Em duplas, a turma deve fazer silhuetas em
uma folha de papel craft presa à parede. Em seguida, acomode as produções no chão para que sejam criados, com giz de cera, elementos que caracterizem cada um deles. Na aula
seguinte, distribua os espelhos para a obervação do rosto. A garotada deverá agora fazer um auto-retrato com lápis de cor, em folha sulfite. Para o encontro seguinte, peça que as crianças tragam três fotos de casa: uma de quando eram bebê, outra, um pouco mais
velhas, e uma atual. Para formar uma seqüência, elas devem se representar como se imaginam no futuro. Assim, se perceberão como pessoas em constante transformação. Quem não tiver fotos pode se desenhar em três fases da vida. Oriente-as a pensar no que gostariam de ser quando adultos e a criar um fundo com diferentes paisagens ou ambientes.

 3ª ETAPA
Reserve três aulas para a pintura do autorretrato em tela com tinta guache. Mostre novamente autorretratos de artistas para que sejam observadas cores, pinceladas e a relação figura/ fundo. Separe a classe em grupos de quatro e distribua recipientes com
tintas das cores primárias e pincéis de diversos tamanhos. Sugira que todos façam misturas e revelem novos tons e cores. Intercale sempre as situações de produção com as de apreciação dos trabalhos. Isso vai permitir que a turma descubra o que mais pode fazer e que detalhes, pinceladas e cores é possível criar e experimentar. Na última aula,
promova um amplo debate sobre os autorretratos e as marcas que apareceram na própria pintura e na dos colegas. No último encontro, oriente a garotada a organizar uma exposição.

PRODUTO FINAL
Exposição de arte aberta ao público. Monte uma mostra dos trabalhos e convide pais, professores e colegas das outras turmas. Exiba todas as atividades desenvolvidas para
que os visitantes conheçam a trajetória dos estudantes de Arte.

AVALIAÇÃO
Crie pautas de observação, aponte o que é importante cada série aprender e como os alunos se saem (se descobrem o uso de símbolos e utilizam novas cores, se colocam
mais detalhes e expressões faciais ou se de cada produção, organize momentos coletivos de apreciação. Nos autorretratos, pergunte que transformações identificam nas criações e que marcas apreciam na tela dos colegas


Materiais para as aulas de circo: pé de lata


Como incluir alunos com deficiência
As flexibilizações são oferecidas de acordo com as possibilidades do aluno e isso varia muito. Cada um desenvolverá habilidades muito particulares, de acordo com seu tipo de limitação ou deficiência. Por isso, atente para os seguintes fundamentos gerais:
- Identifique as possibilidades e competências do aluno, pois essas mostrarão a forma como ele poderá participar.
- Pergunte ao aluno como ele poderia ou gostaria de participar. Incentive-o a mostrar suas possibilidades, mostrando que ele pertence ao grupo.
- Peça ao grupo sugestões de estratégias para flexibilizar as atividades desenvolvidas – essa também é uma forma de envolver a todos.
- Elabore formas de participação do aluno com outras funções, atentando que elas sejam sempre colaborativas -- não segregadas ou paralelas.
- Dê mais tempo para a execução de cada exercício.
- Conte com a experiência dos profissionais de saúde que atendem o aluno. Eles podem tem colaborações valiosas sobre as potencialidades do aluno, bem como recursos e estratégias utilizadas.
- Realize flexibilizações nas diversas dimensões do planejamento: objetivos (podem ser reformulados para um determinado aluno num dado momento), estratégias ou recursos. A avaliação deve ser adequada à mudança de objetivo.

Equilíbrio: pé de lata
Flexibilização para alunos com deficiência física e mobilidade de membros superiores (braços)
- Sugira que o aluno equilibre o material com as mãos.
- Ofereça uma função alternativa, como por exemplo, ser o guia do trajeto a ser percorrido pelo aluno.
- Trabalhe o equilíbrio por meio do contato com um tambor. Com a sua ajuda, a criança se deita no aparelho e vivencia o contato com ele.
- Dê mais tempo para a execução do exercício.

 

ERA UMA VEZ...

BONS LEITORES LITERÁRIOS ESTÃO ATENTOS A NOVAS E VELHAS HISTÓRIAS, CONHECEM GÊNEROS E AUTORES VARIADOS. POR ISSO, ORGANIZAMOS ESTA PÁGINA ESPECIAL, COM MAIS DE 100 CONTOS, CRÔNICAS, POESIAS, LENDAS E FÁBULAS RICAMENTE ILUSTRADAS E PUBLICADAS EM NOVA ESCOLA. PARA LER SOZINHO, EM FAMÍLIA OU COM SEUS ALUNOS, EM QUALQUER FAIXA ETÁRIA. BOA LEITURA!

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Contos:

A GATA APAIXONADA


Quando perguntam como é que eu consegui sair com a Carla, eu respondo que foi por causa do Aldemir Martins. O pintor famoso. 

Eu estava, tranqüilo, estudando. Juro. Lá pelas 3 da tarde o telefone tocou. Era ela, a vizinha da casa 3. 

A mãe morreu há uns quatro anos. O pai é superciumento, não a deixa satir de casa nunca. 

- Oi, Rodrigo... Você tem um gato grande, malhado? 

- Tenho. O nome dele é Sorvete. 

- Sorvete? 

- Quando a gente encosta a mão, ele se derrete todo. 

- Ele briga com a minha gata, a Tati. Já aconteceu várias vezes. Acho que é ciúme. 

- De outro gato? 

- Não. De um quadro. Uma pintura. Do Aldemir Martins. 

Dez minutos depois eu estava na sala da casa dela. Só nós dois. 

- Você vai ver - ela disse. 

- É sempre na mesma hora. Já ouviu falar do Aldemir Martins? 

- Já. É um pintor famoso pra caramba. Mora aqui em São Paulo. 

- Morava. Morreu há pouco tempo. Minha mãe era apaixonada pela pintura dele. Ele ilustrava livros, revistas, jornais... Pintava cangaceiros, galos, passarinhos, peixes... 

- Tô sabendo. Desenhava até rótulos de maionese, de vinho... 

- Minha mãe comprava tudo que podia. A gente comia em pratos desenhados por ele, tinha lençóis, tapetes, cortina de banheiro... 

Carla me levou pra um canto da sala. Em cima de uma imitação de lareira, havia uma tela do Aldemir Martins, pequena, com o desenho de um gato. Um gato gordo, vermelho e azul, um focinho enorme, mostrando as garras, sedutor, os olhos verdes calmos, hipnóticos. 

- Minha mãe adorava esse quadro. 

Então ela me puxou pra trás de uma cortina pesada, que cobria a vidraça que dava pro jardim. 

Tati entrou na sala. Pulou pro beiral da falsa lareira e parou em frente ao quadro, olhando pro gato pintado. Ficamos assim uns 20 minutos, escondidos, calados. Até que ele apareceu. O velho Sorvete. O gato mais descolado do pedaço. Veio gingando, passou entre os móveis, parou na frente da lareira, olhou pro alto e não gostou nada do que viu. 

Carla segurou no meu braço. 

Sorvete pulou pro beiral. 

Briga de gato é mais rápido que videogame. Tati pulou, atravessou uma janela aberta e fugiu pro jardim, com o Sorvete atrás. 

- Minha mãe dizia que um artista é capaz de recriar a vida. Se Deus existe, com certeza é um artista. Mas acho que você vai ter de trancar o Sorvete em casa, Rodrigo. Não gostei daquilo. 

- Não, Carla. A gente encontra outro jeito. Pra mim as pessoas, os bichos, qualquer coisa que se mexa... têm de ter liberdade. Têm de ter uma janela aberta. 

- Mas o Sorvete é meio selvagem... 

- Isso. É assim que eu gosto dele. Eu também sou meio selvagem. Sabe o que eu faço? Eu como o tomate inteiro. Eu não fico esperando a minha mãe partir e colocar na salada! 

Ela riu. Não sei de onde eu tirei essa história do tomate. Aí me empolguei, e ia dar mais exemplos de como eu era selvagem, mas a cortina se abriu de repente e o pai dela apareceu. 

O cara ficou nervoso, quase chamou a polícia, mas depois a gente explicou, ele se arrependeu e acabou até deixando a filha sair comigo. 

Eu e a Carla estamos namorando. Juro



POESIA:

MEU AMIGO DINOSSAURO


Um pequeno dinossauro
Apareceu no jardim
Educado, inteligente,
O seu nome era Joaquim.

Nunca consegui saber
De onde foi que ele saiu
Quando a gente perguntou
Disfarçou e até sorriu...

Ficou muito nosso amigo
Fez tudo que é brincadeira.
Levou o Miguel pra escola
Levou a mamãe pra feira.

As pessoas espiavam
Estranhavam um pouquinho
Onde será que arranjaram
Este dinossaurosinho?

Nessa tarde o papai trouxe
Um amigo bem distinto
Que se espantou e exclamou:
— Mas este bicho está extinto!

Há muitos milhões de anos
Ele já virou petróleo!
Ou já virou gasolina,
Ou algum tipo de óleo.

Meu dinossauro sorriu
— Estou vivo, "podes crer"!
Eu não virei querosene
Como o senhor pode ver!

Antigamente diziam
Que o petróleo era formado
Por montes de dinossauros
Um sobre o outro empilhados.

Mas isso não é verdade!
Foram plantas e outros bichos
Que ficaram bem fechados
Entre buracos e nichos.

Sofreram muita pressão
Por muitos milhões de anos
Sofreram muito calor
No fundo dos oceanos.

— Mas então por que o petróleo
Até parece cigano?
Ora aparece na Terra,
Ora debaixo do oceano!

É porque o planeta Terra
Esteve sempre a mudar
Depois de milhões de anos
Tudo mudou de lugar.

Todos ficaram espantados
De tanta sabedoria
E perguntavam: — Que mais
Sabe Vossa Senhoria?

— Sei ainda muitas coisas
Disse o amigo Joaquim
Para que serve o petróleo
E outras coisas assim.

Petróleo move automóvel,
Navio, trem, avião,
Ônibus e motocicleta,
Helicóptero e caminhão.

Com petróleo se faz pano,
Brinquedo, bolsas e mala,
Pele pra fazer salsicha,
Copos, pratos, nem se fala.

Se faz tinta, faz garrafa,
Material de construção,
Se fazem peças de automóvel
E se faz tubulação.

— Tenho mais uma coisinha
Pra dizer. - Pois então diga!
E o dinossauro puxou
O fecho em sua barriga.

E saíram lá de dentro
O Pedro mais o Raimundo
— Nós não somos dinossauro,
Enganamos todo mundo!

Poema de Ruth Rocha, ilustrado por Alarcão


LENDAS E FÁBULAS:

Lenda De bem com a vida

Filó, a joaninha, acordou cedo.
- Que lindo dia! Vou aproveitar para visitar minha tia.
- Alô, tia Matilde. Posso ir aí hoje?
- Venha, Filó. Vou fazer um almoço bem gostoso.
Filó colocou seu vestido amarelo de bolinhas pretas, passou batom cor-de-rosa, calçou os sapatinhos de verniz, pegou o guarda-chuva preto e saiu pela floresta: plecht, plecht...
Andou, andou... e logo encontrou Loreta, a borboleta.
- Que lindo dia!
- E pra que esse guarda-chuva preto, Filó?
- É mesmo! - pensou a joaninha. E foi para casa deixar o guarda-chuva.
De volta à floresta:
- Sapatinhos de verniz? Que exagero! - Disse o sapo Tatá. Hoje nem tem festa na floresta.
- É mesmo! - pensou a joaninha. E foi para casa trocar os sapatinhos.
De volta à floresta:
- Batom cor-de-rosa? Que esquisito! - disse Téo, o grilo falante.
- É mesmo! - disse a joaninha. E foi para casa tirar o batom.
- Vestido amarelo com bolinhas pretas? Que feio! Por que não usa o vermelho? - disse a aranha Filomena.
- É mesmo! - pensou Filó. E foi para casa trocar de vestido.
Cansada da tanto ir e voltar, Filó resmungava pelo caminho. O sol estava tão quente que a joaninha resolveu desistir do passeio.
Chegando em casa, ligou para tia Matilde.
- Titia, vou deixar a visita para outro dia.
- O que aconteceu, Filó? - Ah! Tia Matilde! Acordei cedo, me arrumei bem bonita e saí andando pela floresta. Mas no caminho...
- Lembre-se, Filozinha... gosto de você do jeitinho que você é. Venha amanhã, estarei te esperando com um almoço bem gostoso.
No dia seguinte, Filó acordou de bem com a vida. Colocou seu vestido amarelo de bolinhas pretas, amarrou a fita na cabeça, passou batom cor-de-rosa, calçou seus sapatinhos de verniz, pegou o guarda-chuva preto, saiu andando apressadinha pela floresta, plecht, plecht, plecht... e só parou para descansar no colo gostoso da tia Matilde.



CRÔNICA:

A professora de Desenho


Falando a verdade, escola é uma chatice. Pelo menos a minha era uma chatice. Essa história de aprender tabuada, fazer prova, lição de casa... eu não gostava. Ficava feliz quando aparecia uma gripe. Existe coisa melhor? Eu juntava todos os brinquedos em cima da cama. Traziam revistinhas. Chocolates. Televisão no quarto. Era ótimo.

Disse que a escola era muito chata, mas esqueci de uma coisa: as aulas de desenho. Essas eram legais.

Toda sexta-feira, depois do recreio, a dona Marisa (naquele tempo a gente não chamava a professora de "tia", nem usava só o nome dela, sem nada, assim: "Marisa"; tinha de ser "dona Marisa") - enfim, a dona Marisa saía da sala, e entrava a professora de desenho. A dona Andréia.

A dona Marisa era meio gorducha, usava coque no cabelo e se pintava feito louca. Batom. Sombra azul nos olhos. Meio perua. Eu não gostava da dona Marisa.

Mas aí entrava a professora de desenho. A dona Andréia era mocinha. Tinha cabelos castanhos. Lisos e compridos.

A aula de desenho era uma farra. A gente abria os cadernos, que não tinham linhas, só folhas de papel em branco, para a gente fazer o que quisesse. Podia. Dona Andréia deixava.
Ela era linda.

Um dia, ela se atrasou. O tempo ia passando, e ela não chegava. Todo mundo estava louco para ter aula de desenho.

Por que será que ela estava atrasada?

Nessa idade, a gente sabe muito pouco da vida dos adultos. Talvez a dona Andréia tivesse brigado com o namorado. Pode ser que o diretor da escola tivesse dado uma bronca nela. Vai ver que tinha alguém doente na família.

Mas a gente não queria saber de nada. Só queria ter aula de desenho.

Foi quando a dona Andréia apareceu. Todos nós ficamos contentes.

Não foi só contente. Foi uma espécie de alegria total, de gritaria, de explosão.

Ela entrou na classe.

Alguém gritou:

- É a Andréia! 
Não era o jeito certo de falar. Tinha de dizer "dona Andréia". Mas àquela altura ninguém estava ligando. Todo mundo começou a gritar:

- É a Andréia! É a Andréia!

O berreiro foi ganhando ritmo. Como se fosse torcida de futebol.

- AN-DRÉ-IA! AN-DRÉ-IA!

Parecia um jogador entrando em campo. Ou um cantor de rock.

- AN-DRÉ-IA! AN-DRÉ-IA!

Ela começou ficando alegre com a zoeira. Deu um sorriso. O sorriso dela era lindo.

- AN-DRÉ-IA!

Depois, ela ficou um pouco assustada. Não estava entendendo a bagunça.

- AN-DRÉ-IA!

Foi então que eu vi. Ela começou a chorar.

E saiu da sala.

Na hora, não entendi.

Fiquei pensando.

Quem sabe ela se assustou muito. Talvez não imaginasse que a gente gostava tanto dela.

E, às vezes, muito amor assusta as pessoas.

Pode ser que ela tivesse ficado brava. Tínhamos de dizer "dona Andréia", e não dissemos. Era meio chocante só dizer "Andréia", como se ela fosse irmã da gente, ou apresentadora de televisão, ou empregada.

Ela também pode ter chorado por outro motivo qualquer. Estava triste com o namorado, ou com alguma doença da família, e toda aquela alegria da gente atrapalhando os sentimentos dela.

A Andréia nunca mais voltou.

As aulas de desenho acabaram. Comecei a perceber uma coisa.

É que às vezes, quando a gente gosta demais de uma pessoa, não dá certo. Dá uma bobeira na gente. A gente começa a gritar:

- Andréia! Andréia!

E a Andréia fica sem jeito. Não sabe o que fazer. Se assusta. Se enche.

Ouça este conselho.

Se você gosta muito de alguém, tome cuidado antes de fazer escândalo. Não fique gritando "Andréia! Andréia!". Finja que você só está achando a pessoa legal, nada mais. Senão a Andréia sai correndo.

Quando a gente gosta de alguém, tem de fazer como sorvete. Dá uma mordidinha. Mas não enfia o nariz e a boca na massa de morango. Senão, vão achar que a gente é idiota.

As pessoas da minha classe gostavam tanto da Andréia, que ela foi embora. Se a gente fosse mais esperto fingia que não gostava tanto.



Fonte disponível em http://cantinhoeducativo2012.blogspot.com.br/p/pensa-que-acabou.html > Acesso em 26.05.2013.